
A chegada de um novo equipamento ao mercado levanta sempre expectativas elevadas, mas o novo modelo da linha mais acessível da Google deixa-nos com uma dúvida persistente sobre a sua verdadeira necessidade. O fabricante decidiu manter o processador, as câmaras e a bateria praticamente inalterados em relação à geração anterior. As modificações efetuadas noutros componentes são, na melhor das hipóteses, bastante discretas e focadas em pequenos refinamentos físicos.
Isto não significa necessariamente um problema grave, uma vez que o antecessor era um dispositivo excelente e liderou o segmento de gama média durante o último ano. O novo telemóvel chega agora ao mercado português com um preço a começar nos 559 euros para a versão base de 128 GB, existindo uma opção com 256 GB para quem precisa de mais espaço. No entanto, com a geração anterior ainda disponível nas lojas e a descer de preço, a grande questão que se impõe é perceber se vale a pena o investimento extra ou se a poupança justifica optar pelo modelo mais antigo.
Para tentar dissipar estas dúvidas, testámos intensivamente o novo equipamento durante os últimos dias. A nossa unidade de testes chegou na atraente cor Lavanda, que confere um aspeto bastante distinto e elegante ao dispositivo. Vamos analisar em detalhe cada pequena alteração que a marca decidiu implementar nesta nova iteração.
Design e Construção
Olhando para o exterior, as atualizações são bastante subtis, mas acabam por ser muito bem-vindas na utilização diária. O equipamento é três gramas mais leve do que o seu antecessor e apresenta dimensões ligeiramente mais curtas e finas no geral. Esta pequena redução no tamanho físico resultou também numa moldura ligeiramente mais fina em redor do ecrã, conferindo um aspeto um pouco mais moderno à parte frontal.

A grande mudança visual encontra-se na parte traseira, onde a marca decidiu refinar ainda mais a filosofia iniciada no ano passado. O telemóvel é agora uma fração de milímetro mais espesso no corpo principal, o que permitiu que o módulo das câmaras ficasse não apenas totalmente plano em relação à traseira, mas até ligeiramente embutido. É um excelente contraste face às câmaras salientes que vemos na maioria dos dispositivos atuais.

A marca optou por manter sensores mais pequenos e focar-se no processamento de software, pelo que aplaudimos a decisão de compensar isso com o design de câmara menos obstrutivo do mercado. O dispositivo como um todo tem um aspeto fantástico, é simples, elegante e muito confortável de segurar com apenas uma mão. Além da nossa versão Lavanda, que tem um aspeto incrível, existem ainda outras cores como o tom baga e o mais conservador preto obsidiana para quem prefere algo discreto.
Ecrã e Desempenho
A frente do dispositivo é dominada por um ecrã de 6,3 polegadas que apresenta algumas melhorias interessantes face ao modelo anterior. O painel é agora protegido pelo vidro Gorilla Glass 7i, o que representa uma evolução significativa em termos de resistência contra quedas e riscos face ao antigo Gorilla Glass 3. Além disso, o ecrã consegue atingir mais 300 nits de brilho máximo e oferece um nível de contraste superior, facilitando bastante a leitura sob luz solar direta.
No interior, o equipamento é alimentado pelo mesmo processador Tensor G4 que já conhecíamos do ano passado. Este chip é perfeitamente rápido e capaz para todas as tarefas diárias e navegação normal, mesmo que não atinja os números de desempenho dos processadores de topo do mercado. A decisão de não atualizar o chip pode parecer um pouco contida, mas só será um problema se estiver à procura de um telemóvel focado em videojogos pesados.
O verdadeiro desafio deste processador poderá sentir-se a longo prazo, considerando as promessas de suporte da marca. O telemóvel tem garantidos sete anos de atualizações de sistema operativo, momento em que o processador G4 terá nove anos de existência e poderá começar a mostrar o peso da idade. Em termos de conectividade, destacamos o suporte para Bluetooth 6.0 e a introdução da funcionalidade de SOS por satélite, que permite contactar serviços de emergência mesmo fora da cobertura de rede móvel.
Câmaras e Software
As especificações das câmaras mantêm-se inalteradas, herdando o sensor principal de 48 megapíxeis e a lente ultra grande angular de 13 megapíxeis. Durante os nossos testes, estas câmaras mostraram ser mais do que competentes para um equipamento desta faixa de preço. Somos particularmente fãs do processamento natural de imagem da marca, especialmente em fotografias noturnas, onde o sistema resiste à tentação de iluminar artificialmente toda a cena.

Como os sensores físicos são relativamente pequenos, os limites começam a notar-se quando a luz escasseia de forma drástica. Nestas situações, começamos a observar ruído nos detalhes mais finos e fontes de luz excessivamente estouradas, um problema que é mais evidente na câmara ultra grande angular. Ainda assim, é muito difícil encontrar câmaras melhores neste segmento de preço sem gastar consideravelmente mais dinheiro.
No campo do software fotográfico, encontramos duas novidades exclusivas deste modelo: o Camera Coach e o Auto Best Take. O primeiro é um assistente de inteligência artificial que dá instruções passo a passo para enquadrar a fotografia, mas na nossa experiência limitou-se a pedir para aproximar o foco e, na maioria das vezes, devolveu uma mensagem de erro sem funcionar corretamente. O Auto Best Take faz exatamente o que o nome indica, automatizando a mistura de várias fotografias de grupo para captar a melhor expressão de cada pessoa, embora nenhuma destas funções justifique por si só a compra deste modelo.
Bateria e Carregamento
A autonomia é garantida por uma bateria de 5100 mAh, a mesma capacidade exata que encontrávamos na geração passada. Na nossa utilização, isto traduz-se numa bateria suficiente para aguentar um dia inteiro de uso normal, mas que dificilmente se estende para um segundo dia. A marca afirma que o modo extremo de bateria consegue agora oferecer mais 20 horas de autonomia graças a otimizações de software, mas não sabemos se isto chegará aos modelos anteriores.
No que diz respeito ao carregamento, notámos finalmente algumas melhorias tangíveis nos nossos testes. O equipamento suporta agora carregamento com fios a 30W e carregamento sem fios a 10W, um aumento face aos 23W e 7.5W do seu antecessor. Estes valores continuam a ser mais lentos do que muitas alternativas no ecossistema Android, mas a ligeira melhoria na velocidade é sempre um ponto positivo para quem precisa de carga rápida.
Um aspeto que nos deixou um pouco desiludidos foi a ausência de ímanes com a norma Qi2 na traseira do equipamento. A marca não estendeu esta característica, que está presente nos modelos superiores da linha 10, a este telemóvel mais acessível. A inclusão desta tecnologia teria feito com que a atualização de hardware parecesse muito mais justificada e útil para o dia a dia.
Veredicto Final
Temos assistido a atualizações extremamente iterativas no mercado dos smartphones ultimamente, como vimos com os topos de gama da Samsung ou com a Apple e o seu iPhone 17E. No entanto, o novo Pixel 10A consegue ser ainda mais contido nas novidades do que os seus rivais diretos, parecendo mais uma leve revisão de catálogo do que um telemóvel verdadeiramente novo.
A realidade mais curiosa no meio de tudo isto é que este continua a ser o melhor telemóvel de gama média que pode comprar atualmente no nosso país. Esta constatação é, em grande parte, um reflexo do estado atual da indústria tecnológica neste segmento de preços específico, onde as inovações parecem ter estagnado consideravelmente nos últimos tempos.

Daqui a alguns meses, quando o stock da geração anterior esgotar nas lojas, este modelo será inquestionavelmente a melhor forma de investir o seu dinheiro. Contudo, enquanto o modelo do ano passado continuar disponível nas prateleiras por um preço inferior, o maior concorrente deste equipamento continuará a ser, ironicamente, a própria marca que o fabricou.
Prós e Contras
Prós:
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Módulo de câmaras totalmente plano e ligeiramente embutido no corpo
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Ecrã mais brilhante e com proteção Gorilla Glass 7i reforçada
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Desempenho fotográfico sólido com excelente processamento
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Inclusão de SOS por satélite e tecnologia Bluetooth 6.0
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Velocidades de carregamento com e sem fios melhoradas face ao antecessor
Contras:
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Uso do mesmo processador, sensores fotográficos e capacidade de bateria que a geração anterior
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Assistente fotográfico Camera Coach apresenta falhas constantes de funcionamento
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Ausência de suporte para a mais recente norma de carregamento magnético Qi2
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Desempenho fotográfico apresenta limitações e ruído em condições de muito pouca luz
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Preço de lançamento canibalizado pela presença do modelo anterior no mercado
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