
As autoridades espanholas desferiram um duro golpe contra o cibercrime na Europa, com a detenção de 34 indivíduos alegadamente ligados a uma rede criminosa envolvida em fraudes digitais e com conexões ao perigoso grupo “Black Axe”. A operação, que visou desmantelar uma estrutura financeira ilícita, contou com a colaboração da Polícia Criminal do Estado da Baviera e o apoio da Europol.
As detenções ocorreram em várias cidades chave, incluindo Sevilha, Madrid, Málaga e Barcelona. Durante as buscas, as autoridades apreenderam 66.400 euros em numerário, diversos dispositivos eletrónicos e veículos, tendo ainda procedido ao congelamento de 119.350 euros em contas bancárias.
O esquema dos emails e o “Homem no Meio”
Segundo as investigações, esta rede de cibercrime era liderada por indivíduos de origem nigeriana, membros do gangue Black Axe, e especializava-se em burlas técnicas conhecidas como “Man-in-the-Middle” (MITM). Esta técnica consiste na interceção de comunicações legítimas entre empresas para desviar pagamentos sem que as vítimas se apercebam de imediato.
A forma mais comum detetada foi o compromisso de email corporativo (BEC – Business Email Compromise). Ao comprometerem ou falsificarem contas de email de empresas, os criminosos conseguiam intercetar trocas de mensagens genuínas, alterar os dados bancários nas faturas e desviar grandes somas de dinheiro para contas controladas pela organização.
Os investigadores estimam que os danos causados por estes cibercriminosos nos últimos 15 anos excedam os 6 milhões de dólares (cerca de 5,5 milhões de euros), sendo que 3,5 milhões de dólares estão diretamente ligados a esta operação específica. Para mover e ocultar o rasto dos fundos ilícitos, o grupo recorria a uma extensa rede de “money mules” (mulas de dinheiro) e testas de ferro espalhados por vários países europeus.
As origens e o perigo da Black Axe
A Black Axe, fundada na Nigéria em 1977, é considerada uma das organizações criminosas mais perigosas e de maior alcance mundial, com cerca de 30.000 membros estimados. Embora historicamente associada ao tráfico de droga, tráfico humano e outros crimes violentos, o grupo tem vindo a apostar fortemente no cibercrime como fonte de receita.
Dos detidos nesta operação em Espanha, quatro foram identificados como os principais suspeitos e colocados em prisão preventiva. Enfrentam agora acusações que incluem fraude continuada agravada, pertença a organização criminosa, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e obstrução à justiça.
As autoridades espanholas sublinharam que a investigação continua em curso e não descartam a possibilidade de novas detenções num futuro próximo, conforme detalhado no comunicado oficial da Polícia Nacional.
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