
A justiça na Alemanha está a intensificar as restrições contra portais de partilha ilegal com novos critérios numéricos rigorosos. Segundo avançou o TorrentFreak, o comité de verificação CUII revelou que uma plataforma é considerada estruturalmente infratora quando os conteúdos ilegais atingem um mínimo de 81,5%. Esta métrica resultou recentemente no bloqueio do conhecido portal KinoGO, cuja biblioteca acusou uma margem mínima de 82,4% de material protegido.
A mudança nas ordens de restrição
Desde 2021 que os principais fornecedores de internet germânicos utilizam a associação CUII para banir plataformas com esquemas severos de infração. Este mecanismo começou por funcionar num formato administrativo, aprovado pela Agência Federal de Redes, mas sofreu uma reestruturação importante a meio de 2025. Com a reescrita do código de conduta, o processo inicia-se com uma ação judicial movida pelos detentores de direitos contra uma operadora específica. Quando o tribunal valida o pedido, os restantes prestadores de serviço seguem a mesma decisão.
O Tribunal Regional de Colónia emitiu recentemente despachos visando domínios como o Streamed (streamed.pk e streamed.st) e o próprio KinoGO (kinogo.ec). Para garantir a eficácia da acusação, um investigador privado recolhe uma amostra aleatória dos ficheiros da página para calcular a proporção de infração, aplicando um nível de confiança de 95,5%. Nas análises apresentadas, o Streamed registou uma taxa entre os 96,16% e os 100%, enquanto o KinoGO variou entre os 82,4% e os 94,6%.
A fronteira matemática na justiça
O valor exato de 81,5% foi estabelecido num despacho de março de 2025 contra os domínios HDFILME, STREAMCLOUD e FILMPALAST. A ordem determinou expressamente que os materiais ilegais superam o conteúdo legal assim que se ultrapassa esta percentagem. A origem desta fasquia remonta a uma sentença à revelia emitida em janeiro de 2025 contra o portal de downloads NOX, uma decisão que os operadores do site nunca contestaram.
O portal KinoGO apresenta mais de 50 milhões de visitas mensais, captando sobretudo tráfego da Bielorrússia e da Ucrânia. O facto de a avaliação mínima de 82,4% ter ficado tão próxima do limite das autoridades levanta questões no ecossistema da pirataria. Esta proximidade coloca a hipótese teórica de um administrador preencher o arquivo com obras de domínio público ou vídeos criados por inteligência artificial. Essa tática permitiria empurrar a análise para baixo da meta estipulada, mantendo a biblioteca ilícita totalmente intacta. A CUII foi questionada sobre a consolidação dos 81,5% como um limite definitivo para a emissão de bloqueios, mas optou por não apresentar qualquer comentário até à publicação original dos dados.
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