NASA vai enviar duas sondas à Lua para testar órbitas complexas de três corpos

The Cyber Tunnel
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imagem da lua

Depois de um ano marcado pelo regresso de missões tripuladas ao redor da Lua, a NASA continua a preparar os próximos passos para estabelecer uma presença humana sustentada no satélite natural da Terra. De acordo com os detalhes partilhados pela Space.com, a agência espacial norte-americana planeia lançar já no próximo ano a missão CAPSTONE 02. O projeto consiste no envio de duas sondas manobráveis que vão voar em formação estreita para avaliar os efeitos do ambiente gravitacional cislunar.

Esta região do espaço apresenta desafios únicos, uma vez que as naves precisam de navegar sob a influência simultânea das forças gravitacionais da Terra e da Lua, num fenómeno conhecido como órbitas de três corpos. Para além de testar manobras avançadas nestas trajetórias dinâmicas, a missão terá como objetivo validar novas tecnologias de comunicação e navegação. Estes sistemas serão fundamentais para a infraestrutura do programa Artemis e para a futura base fixa na superfície lunar.

O amadurecimento das capacidades cislunares

As duas sondas espaciais estão a ser construídas pela Terran Orbital Systems e foram desenhadas para alternar constantemente os papéis de “perseguidor” e “alvo” durante o voo conjunto. A navegação no espaço profundo assentará numa combinação de dados obtidos por telescópios na Terra, sensores óticos de última geração e navegação celestial.

O gestor da missão, Sean Fuller, sublinhou em comunicado que este projeto representa um passo crucial no desenvolvimento destas tecnologias. O responsável destacou ainda que a CAPSTONE 02 “estabelece as bases para a infraestrutura lunar e serviços comerciais que apoiam a Artemis, a Base Lunar e missões futuras ao espaço profundo”.

O caminho tecnológico rumo à Artemis III

Os testes práticos destas manobras orbitais servem de ensaio direto para a missão Artemis III, cujo lançamento está previsto para 2027. O esquema de dados que será validado no espaço é semelhante ao modelo que a NASA desenhou para acoplar a nave Orion aos módulos de pouso. Se o calendário se mantiver, a Orion deverá encontrar-se em órbita com o veículo Starship, da SpaceX, e com o módulo Blue Moon, desenvolvido pela Blue Origin.

A agência espacial relembrou que o transporte seguro de tripulações a partir da órbita cislunar depende inteiramente da precisão destes sistemas de posicionamento. Dado que estas condições dinâmicas e de dupla gravidade não podem ser replicadas nos laboratórios em Terra, os testes em ambiente espacial real tornam-se obrigatórios.

Este projeto dá continuidade à primeira fase do programa CAPSTONE, que começou em 2022 com uma única sonda do tamanho de um micro-ondas. Esse equipamento pioneiro operou com sucesso durante quatro anos, tendo a sua missão terminado oficialmente em junho deste ano, após demonstrar a estabilidade destas órbitas pioneiras.



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