Apple negoceia compra de memória chinesa com autorização da Administração Trump

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A Apple poderá estar prestes a obter autorização da Administração Trump para adquirir chips de memória dos fabricantes chineses CXMT e YMTC. Segundo informações avançadas pela Reuters, Washington prepara uma licença que permitirá à tecnológica norte-americana comprar memória DRAM da CXMT e NAND Flash da YMTC para integrar nos seus dispositivos. Contudo, a decisão só deverá ser comunicada oficialmente após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, agendado para 24 de setembro de 2026 nos Estados Unidos.

A urgência da empresa de Cupertino justifica-se pela forte escassez global de componentes impulsionada pelo crescimento da indústria da inteligência artificial. A empresa está já a testar a memória da CXMT em modelos do iPhone e MacBook destinados ao mercado chinês. Com esta estratégia, a gigante da maçã pretende diversificar a sua cadeia de abastecimento e diminuir a dependência face a fornecedores tradicionais como a Samsung, a SK hynix e a Micron.

Mudança de postura em Washington e oposição política

Esta eventual aprovação representa uma reviravolta de 180 graus na posição pública do Governo norte-americano. Recentemente, o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que a administração se opunha à compra de memória chinesa por empresas norte-americanas, tendo transmitido essa posição de forma direta à direção da Apple. Washington receia que o apoio financeiro a empresas como a CXMT e a YMTC fortaleça fornecedores associados ao exército chinês pelo Pentágono. Adicionalmente, a YMTC integra a Entity List do Departamento de Comércio dos EUA desde 2022, o que restringe o seu acesso a tecnologias americanas.

A medida enfrenta também forte resistência no Congresso. No final de julho, um grupo bipartidário de senadores enviou uma carta formal a Tim Cook a exigir garantias de que a empresa não utilizará componentes da CXMT ou da YMTC em nenhum produto. Como solução intermédia, a Apple planeia utilizar estas memórias exclusivamente nos equipamentos comercializados dentro da China. Esta alocação regional libertará o fornecimento da Samsung, SK hynix e Micron para os dispositivos distribuídos no resto do mundo.

Escassez provocada pela IA e impacto nos preços

A decisão da Apple surge num momento em que a forte procura de centros de dados para inteligência artificial absorve grandes quantidades de memória DRAM e NAND Flash. Como os fabricantes tradicionais estão a canalizar a sua capacidade de produção para servidores de IA, fornecedores chineses ganharam relevância no mercado global. A CXMT ocupa já a quarta posição mundial na produção de DRAM, enquanto a YMTC regista um crescimento acelerado no segmento NAND Flash.

No entanto, recorrer a estes fornecedores não garante uma redução no custo final do iPhone ou do Mac. A elevada procura permitiu à CXMT aumentar os preços e fechar contratos com gigantes como a ByteDance e a Tencent, recusando oferecer à Apple o habitual desconto por volume. O benefício central para a tecnológica norte-americana reside na segurança logística de contar com uma quarta grande fonte de abastecimento para enfrentar a escassez global.



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