
A tensão geopolítica no Médio Oriente voltou a escalar e a fatura vai chegar diretamente aos consumidores em Portugal. Após os Estados Unidos anunciarem o fim do cessar-fogo com o Irão, os mercados internacionais reagiram de imediato, elevando substancialmente o custo do barril de petróleo. Segundo adiantou o Jornal de Negócios, a situação levanta fortes preocupações sobre a transparência do setor e o agravamento do preço do gasóleo e da gasolina nas bombas nacionais.
O fim da trégua e a reação do mercado
O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou esta quarta-feira o término do acordo de paz entre as duas nações, justificando a decisão com a frase de que não quer “lidar mais com essa gente”. A declaração surge em resposta a disparos iranianos contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz, que motivaram um ataque retaliatório dos Estados Unidos contra mais de 80 alvos no Irão.
O impacto financeiro não se fez esperar num mercado já por si sensível. O barril de Brent, que serve de referência para a Europa, registou um salto de quase 6% em relação ao dia anterior, passando a ser negociado nos 78,55 dólares (cerca de 73 euros, à taxa de câmbio atual). Este valor contrasta fortemente com a estabilidade das últimas semanas, em que o preço do barril se manteve pouco acima dos 70 dólares.
Combustíveis sobem e Governo exige respostas
Para os condutores portugueses, a notícia tem um impacto prático muito direto. As cotações de fecho da última terça-feira já apontavam para uma subida na próxima semana na ordem dos três cêntimos para o gasóleo e dois cêntimos para a gasolina. No entanto, perante a recente instabilidade geopolítica e a escassez de produtos refinados a nível global apontada pelo setor, a subida nas bombas pode ser superior ao valor inicialmente projetado, encarecendo a tarefa de atestar o depósito.
A mecânica de formação de preços em território nacional está, aliás, sob escrutínio da tutela. A ministra do Ambiente destacou a necessidade de compreender a forma como os valores chegam às gasolineiras do país, sobretudo após os aumentos registados esta semana, que se seguiram paradoxalmente a uma descida do petróleo na semana anterior. Para garantir a defesa e a transparência para com os consumidores, o Governo solicitou esclarecimentos à Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) e à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). A ERSE, por sua vez, comunicou que não identificou qualquer irregularidade aparente no comportamento em relação aos preços pagos pelo consumidor final.
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