
A plataforma de streaming musical Deezer anunciou uma nova funcionalidade batizada de Remix Lab, desenhada para permitir que os utilizadores criem as suas próprias misturas de faixas conhecidas com o total consentimento dos artistas. Ao contrário das tendências atuais do mercado, esta ferramenta assegura que os criadores originais e os detentores dos direitos são pagos por cada reprodução das novas versões, conforme revelado no blogue oficial da Deezer.
Uma abordagem humana contra a corrente da IA
A nova aposta da empresa francesa demarca-se da concorrência ao não recorrer à geração por algoritmos. O Remix Lab utiliza ferramentas integradas na própria aplicação que permitem ajustar a velocidade, adicionar efeitos como reverberação ou até aplicar transformações mais complexas para alterar o estilo e o género musical de uma faixa.
Enquanto gigantes do setor tecnológico como o YouTube testam a criação de misturas através de algoritmos e o Spotify se alia a grandes editoras para gerar capas e versões artificiais, a Deezer mantém a sua postura defensiva. A plataforma tem sido uma das poucas a remover ativamente conteúdos gerados por computador das suas recomendações e listas de reprodução editoriais, defendendo que a invasão sintética pode ofuscar o talento humano.
Para os ouvintes, isto significa a possibilidade de interagir diretamente com o processo criativo das suas músicas favoritas, mantendo uma ligação genuína com os músicos.
Disponibilidade limitada e compensação justa
Nesta fase inicial, a ferramenta encontra-se restrita ao mercado francês, com um catálogo limitado a artistas locais e francófonos de renome, como Céline Dion, Alain Souchon e Tiakola. Não existe ainda uma data confirmada para a chegada da funcionalidade aos utilizadores em Portugal, embora a empresa mencione planos para uma futura expansão internacional.
A par da edição musical, a plataforma está a promover concursos no Deezer Club, cujos vencedores serão anunciados no início de setembro. As melhores misturas terão direito a destaque numa lista de reprodução dedicada, bilhetes para os eventos exclusivos Deezer Purple Door e brindes dos respetivos artistas.
Numa altura em que a indústria global debate a sustentabilidade dos modelos de pagamento no streaming, este formato pode servir de exemplo europeu sobre como compensar financeiramente os artistas sem bloquear a criatividade dos fãs.
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